Com a expulsão de três prefeitos caiadistas nesta semana, o ex-deputado federal Daniel Vilela fortalece o seu comando no MDB goiano e seu projeto de uma nova candidatura ao governo estadual em 2022. Mas, até lá, ainda existe um longo caminho para o jovem emedebista.

Daniel Vilela começou a consolidar sua liderança estadual no MDB há três anos ao ser eleito pela primeira vez presidente do diretório, quando disputou e ganhou (com boa vantagem de votos) a eleição contra Nailton de Oliveira, muito próximo do prefeito Iris Rezende.

Daniel também conseguiu fazer prevalecer a candidatura própria do partido, no caso a sua, para governador de Goiás no ano passado, quando algumas fortes lideranças do MDB já defendiam abertamente o apoio ao então senador Ronaldo Caiado (DEM). Em janeiro deste ano, numa antecipação de nova eleição do diretório estadual, foi reeleito presidente.

Agora o MDB expulsou algumas de suas lideranças expressivas no interior do Estado com a justificativa de cometeram infidelidade partidária, por terem apoiado no ano passado a eleição de candidato de outro partido, no caso a de Caiado.

Isto também traz ônus e riscos. Os prefeitos Adib Elias e Paulo do Vale, entre outros que foram expulsos do MDB, não devem sair sozinhos do MDB para uma legenda mais próxima ao governador Ronaldo Caiado. No ano passado alguns deputados já tinham debandado, como o federal José Nelto (Podemos). Isto enfraquece o MDB em Goiás e pode piorar caso Caiado resolva investir (o que não seria por agora) para desidratar ainda mais o comando de Daniel, declaradamente oposição ao seu governo.

Um próximo e grande teste para Daniel Vilela serão as eleições municipais. Como perdeu (na verdade, já não tinha há muito tempo) o apoio de prefeitos em cidades importantes como Rio Verde, Catalão e Formosa, o ex-deputado tem articulado com outros partidos para fortalecer seu grupo, já também visando a sucessão estadual de 2022. Em Aparecida se torna vital a reeleição do prefeito Gustavo Mendanha (MDB). Em Goiânia, o cenário continuará indefinido até Iris Rezende decidir se disputar ou não uma reeleição.

Aliás, Iris parece não ter movido uma palha para evitar a expulsão de caiadistas no MDB nesta semana. Não que isto signifique que foi um apoio à Daniel Vilela nesta empreitada.


Com a visível falta de um norte para o governo de Ronaldo Caiado (DEM), a oposição em Goiás tem falado mais alto em Goiás. Isto ficou claro na visita que a secretária estadual Cristina Schimdt (Economia) fez ontem à Assembleia. A ideia era para ela apresentar números sobre a atual situação fiscal do Estado e apontar soluções em andamento para reverter este quadro. Foi bombardeada por deputados da oposição e os da base do governo apenas assistiram.

A secretária Schmidt voltou a enfatizar a herança recebida dos governos tucanos, como o déficit fiscal de R$ 3,4 bilhões, para reafirmar que a situação de Goiás é “calamitosa”, numa referência ainda ao decreto de calamidade baixado pelo governador Caiado em janeiro. Disse ainda que o governo tem adotado medidas para reduzir despesas (citou como um exemplo o corte de café para os servidores da sua pasta) e que estuda alternativas para aumentar a arrecadação, entre elas uma nova redução dos incentivos fiscais em Goiás (que vai fazer o governo abrir uma nova frente de confronto, com o setor empresarial).

Foram poucos os argumentos apresentados pela secretária Schmidt para convencer os deputados de que o governo Caiado tem, sim, um norte. A oposição deitou e rolou. Os deputados tucanos Talles Barreto, Hélio de Sousa e Lêda Borges partiram para o ataque. Não foram os únicos: Coronel Adaílton (PP), Lucas Calil (PSD) e Antonio Gomide (PT) também criticaram a secretária da Economia e a gestão de Caiado. Condenaram o espichado discurso de terra arrasada, cobraram o pagamento da folha de dezembro e exigiram que Ronaldo Caiado desça do palanque. A secretária teve de se defender sozinha. Em vão. Saiu nocauteada do Legislativo, sem sequer falar com a imprensa.

Este caso de ontem na Assembleia é apenas um exemplo do que tem sido constante desde janeiro e intensificou neste mês. A lua de mel de um novo governo é estimada entre três e seis meses, mas no caso de Goiás tende a acabar mais rápido. Motivo: falta de uma perspectiva do governo, que tem até recuado de alguns poucos anúncios realizados, como a da reestruturação da rede Vapt Vupt.

Para piorar e continuar sangrando, o governo tem mantido a decisão de pagar o restante da folha de dezembro de forma parcelada até julho, mas prometeu que de janeiro em diante a folha seria pago dentro do mês trabalhado. O objetivo era de mostrar que começava um novo governo e ganhar o apoio dos servidores. Não conseguiu. Aliás, a secretária Schmidt disse nesta semana que nem mesmo pagar a folha dentro do mês trabalhado será possível. Mais desgastes.

Vale lembrar que, ao não quitar a folha de dezembro, o governo gerou uma folga de mais de R$ 700 milhões ao fluxo de caixa do Estado, o que permitiu ao governador Caiado anunciar o pagamento de alguns benefícios sociais e repasses para prefeituras que estavam atrasados há meses, além de iniciar o pagamento da folha salarial dentro do mês trabalhado em janeiro.

O governo de Ronaldo Caiado parece que continua apenas na espera de um $ocorro federal para começar de fato. Tentou em janeiro enquadrar o Estado no Regime de Recuperação Fiscal. O governo de Jair Bolsonaro não topou. Agora negocia uma ajuda federal pelo apoio à aprovação da reforma da Previdência no Congresso. Enquanto isto, mantém as críticas à herança tucana e anuncia medidas de pouco impacto. Ou seja: continua sem um norte. Nem mesmo as várias entrevistas concedidas pelo governador têm causado efeito positivo para mudar esta imagem. Mas, claro, o governo está apenas no seu começo de mandato. Tem ainda 46 meses pela frente.


O governador Ronaldo Caiado quer o Estado fora das discussões (e responsabilidades) sobre o transporte público da região Metropolitana. Primeiro, tirando a atribuição da AGR de fiscalizar e regulamentar sobre o reajuste da tarifa de ônibus. Depois, retirando o Estado da CDTC e CMTC, responsáveis pelo setor de transporte público da Grande Goiânia. A informação foi publicada na coluna Giro, do jornal O Popular.

Com isso, o governo de Goiás deixará o abacaxi para as prefeituras. Principalmente, no que se refere ao reajuste da passagem de ônibus, que todo ano gera desgastes políticos com milhares de usuários do transporte público.

O aumento da passagem em 2013 gerou uma onda de protestos no País, o que obrigou o Palácio do Planalto (na época comandado pela petista Dilma Rousseff) e governadores fecharem acordo para evitarem o reajuste tarifário em várias capitais, incluindo Goiânia. Aqui, o então governador Marconi Perillo concedeu isenção parcial (ICMS) sobre o diesel para as empresas de ônibus coletivo.

Em algumas capitais já pipocaram protestos de usuários, principalmente estudantes, contra o aumento da tarifa, principalmente em São Paulo e Curitiba. No ano passado a CDTC aprovou o aumento de R$ 3,70 para R$ 4,00 no preço da passagem para a região metropolitana de Goiânia, mas exigiu melhorias nos serviços aos usuários como aumento da frota de veículos e maior conforto nos pontos (abrigos). As queixas continuam, entretanto.

Para este ano a estimativa é que a tarifa seja reajustada para até R$ 4,30 e ainda está em discussão na CMTC e CDTC. Ontem, na Câmara de Goiânia, o prefeito Iris Rezende afirmou ser favorável ao reajuste. Ele e o governador Caiado também declararam na semana passada interesse na privatização do Eixo Anhanguera, a maior linha de ônibus da capital operada pela estatal Metrobus. Isto pode ameaçar o subsídio de 50%, bancado pelo Estado, na tarifa cobrada dos mais de 200 mil usuários/dia do Eixão.


Iris 2020?

25Feb19

O prefeito Iris Rezende (MDB) fez hoje (25/02) na Câmara de Goiânia uma longa prestação de contas da sua gestão e respondeu às várias perguntas dos vereadores. Embora já disse que não pensa em disputar a reeleição em 2020, quando completará 87 anos de idade, chamou atenção o tom positivo da sua apresentação. Sobre a educação: “Nosso objetivo é que, até o final do mandato, não exista uma criança fora da escola”, disse Iris ao destacar que sua gestão reformou 362 escolas municipais e construiu 4 CMEIs.

Sobre a saúde o prefeito destacou que, no último quadrimestre de 2018, investiu 19% da receita da prefeitura em saúde, acima do previsto na Constituição. “Reformamos 60 unidades de saúde. A população de Goiânia, com raríssimas exceções, não reclama mais do atendimento médico”, disse ao defender a secretária municipal Fátima Mrué.

Sobre o Imas, alvo da Operação Fatura na semana passada que prendeu o presidente Sebastião Peixoto e diretores, Iris enfatizou que fez a denúncia ao Ministério Público de Goiás: “Nunca tive e nunca terei condescendência com o erro, principalmente o de má-fé”.

Iris também destacou as obras realizadas por sua gestão e prometeu muitas outras para até 2020. Contou que foram construídas 17 novas praças e que a capacidade da coleta seletiva dobrou na capital. “Realizamos parceria para conclusão da Avenida Leste-Oeste e as obras devem começar nas próximas semanas”, disse. “Na administração anterior, asfaltamos todos os bairros habitados. Mas 31 surgiram de lá para cá. Já estamos asfaltando alguns e outros estão em fase de licitação. Todos serão asfaltados”, frisou.

O prefeito também não deixou de falar das dificuldades financeiras no início do seu mandato e como as superou nos últimos dois anos. Garantiu que zerou déficit mensal superior a R$ 30 milhões e que praticamente quitou a dívida de mais de R$ 600 milhões da gestão anterior. “Fui eleito para consertar Goiânia e estou consertando. Até hoje ninguém se preocupou mais com o desenvolvimento do que eu. Cobro impostos, mas todo mundo sabe que o benefício chega. Por isso o povo sempre me apoiou”, disse Iris.

Se a população goianiense concordar com esta autoavaliação de Iris Rezende, o prefeito pode chegar ao final deste mandato bem avaliado. E, claro, bem posicionado nas pesquisas eleitorais. Restará saber (e apenas em 2020, nunca antes) se Iris decidirá encerrar sua carreira política e pública com boa popularidade ou isto vai ser, novamente, um motivo para atender as vozes das ruas e sair candidato para tentar um novo mandato até completar os 91 anos de idade (2024).