O recado de maio nas ruas

27May19

O Brasil inteiro assistiu às primeiras duas grandes manifestações pós-eleições de 2018. No último dia 15, aconteceu a primeira mobilizada por estudantes contra cortes em verbas para educação e inflamada por grupos de esquerda e de opositores ao governo de Jair Bolsonaro. Ontem (26/05), foi a vez de simpatizantes do presidente Bolsonaro e encorpada por grupos da direita, defensores da reforma da Previdência e do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro.

Ambas, independente do viés ideológico ou partidário, carregavam um mesmo sentimento: descontentamento com a atual realidade do País. Precisamos avançar, andar para frente.

A economia brasileira ainda não deixou o fundo do poço, no qual foi jogada há pelo menos quatro anos. Pior: não demonstra ânimo, fôlego para isto. Houve uma pequena reação no ano passado. E só. Nesta semana será divulgada o PIB do primeiro trimestre de 2019, em que projeções do Banco Central já antecipam recuo de 0,6%. As projeções do mercado são cada vez menores para o ano e hoje giram em torno de 1,2% de crescimento, metade das estimativas iniciais. Os indicadores oficiais podem apontar que o País entrou, novamente, em recessão. Algo que a maioria dos brasileiros (estudantes, trabalhadores e empresários) já sente na pele e no bolso.

O governo de Bolsonaro demonstra ter apenas uma bala (para usar uma linguagem preferida do presidente) na pistola para matar a recessão: a aprovação da reforma da Previdência. O ministro Paulo Guedes disse em entrevista à Veja que, caso não seja aprovada, o Brasil corre o risco de se ser a Argentina até o próximo ano e virar uma Venezuela até 2022. Exagero, claro, uma vez que é mais fácil Bolsonaro ser despejado antes do Palácio do Planalto. Mas a aprovação da reforma da Previdência, além de necessária e gerar economia significativa aos cofres públicos, deverá recuperar a confiança que empresários e consumidores tanto precisam para voltarem a investir e consumir.

O Brasil tem muitos problemas urgentes a serem resolvidos e o maior deles é a falta de confiança da grande maioria da população.

As duas mobilizações de maio foram significativas e nenhuma mostrou a mesma força dos tsunamis gerados pelos movimentos “Vem para a Rua”. Talvez por não ser ainda o momento para isto. Portanto, nem a esquerda nem a direita podem comemorar vitória. Houve, no máximo, um empate. Não enfraquecem nem fortalecem o governo Bolsonaro. E aí está o maior risco (e recado das ruas) para o presidente: é preciso tirar a economia brasileira do fundo do poço. Para isto, é necessário mostrar urgentemente como pretende cumprir esta missão.

Isto deve fortalecer um dos dois lados nas próximas manifestações.



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